Talvez um dos maiores temores de um líder é transparecer que tomou a decisão errada. Ou não tomar uma decisão, que aos olhos dos seus liderados, seja incongruente. O “eu não sabia” pode ser o maior problema de um líder. Às vezes, por falta de definição ou posicionamento, as coisas não andam e não se resolvem. 

 

 

Resolvi escrever essa “provocação”, pois algo neste sentido aconteceu comigo há cerca de dois anos. Antes, uma informação adicional: sempre sugiro para as pessoas do meu time que pensem diferente e que pensem simples. Pois bem: com esse “spoiler” seguimos a problemática. 

 

Estávamos em reunião de gestores para alinhamento e o gerente de Arquitetura e Pré-vendas tinha um problema para resolver. A questão era desenvolver algo que fazemos muito bem, mas de uma forma totalmente diferente para (primeiro) caber no bolso do cliente e (segundo) utilizar uma tecnologia já há muito em desuso. Ele sabia exatamente como resolver, de forma simples, estava seguro de como e quais riscos haviam no projeto e como mitigá-los.

 

Quando ele apresentou a situação, imediatamente respondi: “Não seguiremos!”

 

Aos olhos dele, era um bom cliente, uma boa oportunidade, e a estratégia de entrega estava adequada. Foi então que ele soltou uma frase que carrego até hoje: “Rodrigo, você pede para inovarmos, pensarmos diferente, atendermos as expectativas dos clientes e quando surge uma situação dessas você me veta?”

 

Para mim, ouvir essa colocação, foi como receber choque. Tomei um susto! E pensei: Não posso me tornar parte do problema e sim, parte da solução. Imediatamente respondi: “Você tem razão. Seguimos com a sua estratégia e o que precisar estamos juntos!”

 

Foi um ótimo projeto. Tivemos diversos desafios, e ao final, o cliente e o “cliente do nosso cliente” ficaram muito satisfeitos, nos rendendo uma boa rentabilidade. 

 

Devemos ser sempre alertas, pois a vida e alguns costumes podem pregar algumas peças.

 

Gosto da frase atribuída ao físico alemão Albert Einstein e sempre penso nela: “A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original”.

 

Nos tempos atuais, o individualismo o senso de “salvador da pátria” e o ego, tem que ser deixados de lado. O coletivo e colaborativo é muito mais eficiente. 

 

*Rodrigo Bizarro é diretor de Tecnologia e Inovação da ART IT, empresa especializada em soluções e serviços de TI.