É, lá se vão mais de dois séculos, desde que o tropeiro paulista Antônio Correia Pinto de Macedo Chegou nos campos de cima da serra catarinense, com a incumbência de fundar um povoado para deter os platinos que dominavam esta região que pertencia à coroa portuguesa.                                                                    Era uma grande região despovoada, mas rica em recursos naturais e abundante rebanho bovino que era dominado pelos espanhóis do Prata pois, não se tinha noção exata de onde eram as divisas com países vizinhos colonizados pela Espanha.

                  Na comitiva de Correia Pinto, vieram profissionais e fazendeiros de São Paulo, que além de construir um povoado, acalentavam o sonho da riqueza. Muita terra boa e pouca gente. Assim foi, que de uma freguesia de tropeiros virou a vila de Nossa Senhora do Prazeres das Lajens. Nome referente a pedra laje, abundante na região.

                A vocação natural ficou sendo a bovinocultura dado a imensos campos verdejantes de pastagem de primeira. Os tropeiros que vieram, começaram a instalar suas fazendas e domesticar imensos rebanhos de gado que geravam a carne (charque) e o couro, que confiavam aos tropeiros que os levavam para Sorocaba em São Paulo, centro distribuidor do Brasil.

               Também havia abundancia de pinheiros araucária, que produziam madeira de excelente qualidade que começou a ser explorada na construção civil do Brasil em desenvolvimento.

              Lages passou a ser exportadora de madeira e carne. Era uma região de muita fartura e influente no estado. Isso atraiu mais tarde gente de outras paragens, notadamente imigrantes italianos do Rio Grande do Sul, que para cá vieram em busca de trabalho e ajudaram a fazer Lages. Em meados do século 20, tinha inúmeras empresas madeireiras que adquiriam matéria prima barata e a distribuíam para o mundo. Chegou a ser a maior arrecadação do estado.

Nessa época tinha grande representação política no estado, sendo uma família, Ramos, contribuiu com quatro governadores e um deles, Nereu Ramos, chegou a presidência da república.   

           Mas a madeira e o boi são mercadorias de extrativismo e este é finito. Os latifundiários   ao morrer deixaram suas imensas terras para uma prole numerosa em herança que dividia o feudo, a renda, e a matéria prima. Quando nos anos 1970 barrou-se o corte de pinheiros Lages sofreu um revés, que demorou mais de cinquenta anos para se recompor. Passou de primeira economia, à ultima entre seus pares.

          Também por se situar na região central do planalto, sem nenhuma outra cidade de porte ao redor, tinha muitos distritos com a mesma vocação econômica que não viram outra oportunidade a não ser emanciparem-se e seguir vida própria.

           O tempo passou e os investimentos voltaram, permitindo melhorar a cidade sendo hoje um forte polo madeireiro, de saúde e educação. A pecuária muito evoluiu produzindo com menos terra  mais e melhor, cedendo lugar também para o agro negócio que desponta velozmente. Os pinheiros tirados lá atrás, foram substituídos por pinus e replantados. A indústria se modernizou e a madeira voltou a tomar seu lugar na serra. Hoje, Lages, ainda continua sendo o maior município do estado, com 2.637 km² é uma cidade agradável, de clima excelente, com IDH bom de 0,77; 157.000 habitantes. Não somos mais a primeira economia do estado, mas estamos entre as maiores, é uma cidade que promete muito em termos futuros, pela localização geográfica, mão de obra disponível, aeroporto de grande porte, ferrovia e turismo.

Parabéns a Lages e a todos lageanos.

 

Texto: Volni Garcia

Foto: João Adriano