Serão testados, inicialmente, 300 profissionais da área da saúde da Grande Florianópolis, em função da exposição deles ao vírus.

 

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina e do Hospital Universitário de Florianópolis começam a testar neste mês o uso da vacina contra a poliomielite para prevenir e reduzir os sintomas da Covid-19. Serão testados, inicialmente, 300 profissionais da área da saúde da Grande Florianópolis, em função da exposição deles ao vírus.

A ideia é achar uma solução emergencial para a doença provocada pelo novo coronavírus, cuja vacina específica pode demorar mais de um ano para ser desenvolvida. Para isso, um grupo de médicos e professores mapeou entre as imunizações já existentes alguma que pudesse ajudar a combater a Covid-19, dando proteção por certo tempo e criando uma barreira protetora nas vias respiratórias.

 

Entre as imunizações com essas características, estão a BCG, a do sarampo e a da poliomielite: em comum, todas usam micro-organismos vivos, de forma atenuada, para que o corpo possa reagir e criar imunidade.

Conforme o grupo de pesquisadores, já há estudos nos Estados Unidos avaliando a eficácia da BCG e a Organização Mundial da Saúde (OMS) faz testes com a vacina contra o sarampo, mas não há pesquisa em andamento envolvendo a dose contra a poliomielite.

O objetivo dos pesquisadores é confirmar se essa vacina será capaz de garantir imunidade inata, prevenindo a contaminação contra a Covid-19 por período de quatro a 10 semanas após a imunização, e se, em seguida, teria o efeito de estimular a produção de anticorpos, capazes de reduzir os sintomas da doença.

A expectativa é divulgar os primeiros dados da pesquisa em três ou quatro meses, enquanto em seis meses será possível ter um resultado final.

Voluntários

Inicialmente, serão acompanhadas 300 pessoas, sendo que metade receberá a vacina e, os demais, um placebo. Cada um será testado periodicamente para saber se algum contraiu a Covid-19 e, se sim, como foram os sintomas. Serão realizados os testes rápidos para confirmar a contaminação e o sorológico para saber se houve produção de anticorpos.

Os trabalhos serão no Centro de Pesquisa do Hospital Universitário de Florianópolis e devem se estender ao longo de 2020.

Conforme o governo de Santa Catarina, a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina (Fapesc) é a única financiadora do projeto ao destinar quase R$ 100 mil via edital de fomento.

Por G1 SC