Mulheres que são chefes de família relatam que têm o benefício negado porque o pai dos filhos faz o registro antes e recebe no lugar delas.

Muitas mães que sustentam os filhos sozinhas tiveram o auxílio emergencial do governo federal negado em meio à pandemia de coronavírus. Elas relatam que os ex-companheiros realizaram o cadastro deles antes e conseguiram o benefício no lugar delas. Na tentativa de reverter a situação, um grupo de advogadas oferece consultoria voluntária para ajudar mulheres com orientações jurídicas sobre o benefício.

Segundo as regras estabelecidas pelo governo, homens e mulheres que forem chefes de família e estiverem dentro dos demais critérios poderão receber R$ 1,2 mil (duas cotas) por mês. Mas, se o pai cadastrar o CPF das crianças, a mãe não consegue fazer o pedido no site.

Por meio das rede sociais, ela encontrou uma publicação feita pela advogada catarinense Suani Mota, de 24 anos, com informações sobre o auxílio emergencial. \"Elas me trouxeram o problema, me pediram ajuda. Uma mulher por dia, depois duas, três\", contou Mota, que mora em Campo Belo do Sul, na Serra catarinense.

De acordo com Suane, que integra um grupo de advogadas que se mobilizou para prestar consultoria gratuita envolvendo esses casos, desde a publicação do post na própria rede social, foi contatada por ao menos de 81 mulheres até a manhã desta sexta-feira (15).

\"Algumas só mandam os dados, mas a maioria também compartilha relatos. Temos muitas passando fome, muitas sem remédio, cinco delas que estão dificuldades financeiras porque precisam comprar remédios para os filhos autistas\", lamenta a advogada.

 

Como funciona a ajuda

 Mota faz parte de uma rede nacional de advogadas que está recebendo queixas semelhantes de mulheres de todo o país. Para ajudar a resolver esses problemas, os CPFs das mulheres e dos filhos, além do Número de Identificação Social (SIS), serão juntados e enviados ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos para que sejam tomadas providências. A consultoria está sendo feita de forma voluntária, no entanto o apoio não envolve o processo de judicialização.

Além disso, para apoiar nas necessidades mais imediata, advogadas desta rede entram em contato com as secretarias das mulheres dos estados, com os Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). \"A ideia é conseguir um mínimo, pelo menos uma cesta básica\", afirmou.

Por Joana Caldas, G1 SC