Situação traz prejuízos para agricultores e pecuaristas catarinenses. Fecam pede que governo baixe um decreto estadual.

Santa Catarina tem 46 municípios em situação de emergência por causa da estiagem, segundo um levantamento feito pela Federação Catarinense de Municípios (Fecam). Desses, nove foram homologados pela Defesa Civil do estado. Na semana passada, a instituição enviou ofício ao governo pedindo que o Poder Executivo faça um decreto em nível estadual. Ainda não há resposta para a demanda.

As regiões mais afetadas são o Oeste e o Vale do Itajaí e os transtornos estão sendo sentidos principalmente no campo. No Vale do Itajaí, agricultores têm perdas na safra e tentam driblar as dificuldades. O Rio Hercílio, por exemplo, um dos afluentes do grande Rio Itajaí-Açu, está abaixo do nível normal.

Na propriedade do agricultor Sandro Nilson Braatz já foi perdida 50% da produção de silagem de milho. Ele, que estima ainda uma quebra de 40% na colheita da soja, contou que nunca tinha visto uma seca tão severa na região. "Dá pra dizer que vai perder a metade. Tu não vai nem ter o retorno que investiu", disse.

A estiagem tem prejudicado as nascentes naturais que eram utilizadas no fornecimento de água para os animais. Se não chover até a primeira quinzena de maio eles também podem ficar sem água.

Na propriedade do pecuarista Adilson Harnisch, os mais de mil suínos consomem por dia acima de 12 mil litros de água. Por causa da seca a pastagem está comprometida, com pouco alimento para o rebanho a produção de leite já caiu em 30%. Ele teve que comprar silagem para garantir o sustento dos animais.

"Não adianta dizer que silagem ajuda. Ajuda pra encher o bucho, mas não para dar leite", disse Harnisch.

Decreto estadual

"De acordo com a normativa, o decreto pode ser determinado pelo município ou pelo estado. Quando mais de um município sofre dessa mesma situação, desse mesmo desastre, e é feita essa avaliação de danos e prejuízos pela Defesa Civil do estado, o governo do estado pode decretar situação de emergência ou, dependendo do nível de desastre, de calamidade pública para esses municípios", disse Juliana Plácido, assessora jurídica da Fecam.

Segundo ela, esse decreto facilitaria o procedimento de avaliação do homologação desses decretos. Na última semana, foi feita reunião com representantes dos municípios e do governo para tratar da situação. Após o encontro, a Federação enviou pedido ao governador Carlos Moisés (PSL) pedindo que o governo do estado decretasse situação de emergência.

Por NSC TV