Juliano Chiodelli, 35 anos, natural de Lages, assumiu a presidência da Junta Comercial do Estado de Santa Catarina (Jucesc) em 1º de março de 2019. Trabalhando na capital do Estado e noivo de uma florianopolitana, suas idas e vindas de Floripa para Lages são constantes, por conta também de atividade empresarial que exerce desde 2009.

 

 

Juliano estudou em Florianópolis de 2002 a 2009 e aos 23 anos de idade, depois de formado em Administração, na Udesc, voltou para Lages para trabalhar na Cepar, empresa da qual seu pai é sócio. Foi, por três vezes, vice-presidente da ACIL – Associação Empresarial de Lages. Em 2015 assumiu a secretaria municipal de Desenvolvimento Econômico, a convite do então prefeito interino, Toni Duarte.

Como secretário municipal desenvolveu importantes projetos: reativação de voos comerciais no Aeroporto Federal de Lages, com a vinda da empresa Azul Linhas Aéreas; conclusão do Órion Parque; mais de 20 novas empresas ampliadas e que vieram para Lages no período, como por exemplo a Sanovo, Stock Center, centro de distribuição das Lojas Volpato, Timberforest, além da ampliação da Vossko. Criou o programa Qualifica Mais (de capacitação para ingresso no mercado de trabalho e desenvolveu também o projeto do Lages Business Parque, uma parceria público-privada (local apropriado e com infraestrutura completa para atender empresários locais e de fora de Lages).  

Em 2017, a convite do secretário Carlos Chiodini, foi trabalhar na Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável, atendendo a demanda de contatos com os empresários que pretendiam investir em Santa Catarina, bem como empresários catarinenses que queriam ampliar seus negócios.

Em março de 2019 foi empossado na presidência da Junta Comercial do Estado de Santa Catarina, no governo de Carlos Moisés da Silva. Sua carreira como gestor público, passando da Prefeitura de Lages para o Governo do Estado foi conseguida sem que Juliano estivesse filiado a partido político.

 

Como integrante do governo estadual, como o senhor vê o desenvolvimento do Estado de Santa Catarina no momento atual?

Houve uma série de avanços nos métodos de gestão, na procura por ações que oportunizassem a diminuição da dívida pública, que foi herdada dos antecessores. Carlos Moisés se preocupou em conhecer a máquina e ajustar todas suas peças. Sempre com muita transparência e honestidade, tanto com a população, quando com seus subordinados. Santa Catarina vive um grande momento e os números provam isso. As revisões de contratos, além de rescisões, geraram milhões em economia para o estado. Em torno de 95 mil vagas de empresas foram ocupadas e Santa Catarina transformou-se na 6ª maior economia do país. Poderia citar aqui também outros índices que demonstram o acerto e a seriedade do governo de Carlos Moisés com a coisa pública. Menor taxa de desemprego, menor taxa de informalidade, menor desigualdade de renda do país e maior crescimento econômico. Em apenas um ano de governo, muito já foi realizado. Mas os catarinenses podem esperar ainda mais para 2020 e os próximos anos. Com responsabilidade, equilíbrio e resultados vamos replicar nos municípios os bons exemplos de gestão pública empreendidos no estado.

 

Quais são os dados de maior destaque, gerados e relacionados a essa nova dinâmica de gestão e trabalho implantado e desenvolvido na Jucesc?

 

A Junta Comercial é uma autarquia com 126 anos de atividades, vinculada à SDE – Secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável. Um dos grandes desafios foi o de transformar a Junta Comercial em uma ferramenta de desenvolvimento, deixando de ser, apenas, uma autarquia com viés cartorial de registro empresarial. Já no primeiro ano conseguimos dar o primeiro salto no sentido da inovação com a implantação da Jucesc 100% Digital. Uma nova abordagem nos atos mercantis, sem a presença do papel e com a desburocratização e simplificação que o ambiente de negócios de Santa Catarina sempre esperou encontrar. Além de mais agilidade, o meio digital traz muito mais segurança e consegue reduzir drasticamente o tempo de abertura de empresas. Trata-se da veia empreendedora do povo catarinense e da atração que estado exerce aos empreendedores de fora, encontrando aqui o ambiente seguro para investir. Com tudo isso, a Jucesc precisa estar preparada para dar conta desta demanda. Hoje o empresário e o contador não precisam mais do meio físico para registrar ou proceder qualquer ato mercantil, tudo é feito on-line, 24 horas por dia, sete dias por semana. Isso gerou entusiasmo, resultando em maior segurança para investir. O tempo de abertura de uma empresa passou de dias para minutos. Agora, em média, o tempo de análise e abertura de uma empresa é de 41 minutos. Com o Registro Automático, é possível receber o CNPJ em menos de oito minutos.  Hoje temos em Santa Catarina 850 mil empresas ativas. Tanto as empresas que abrem e as que fecham têm seus registros feitos pela Jucesc. Em 2019 foram abertas aproximadamente 150 mil novas empresas, sendo que em 2018 haviam sido abertas 121 mil empresas. No momento pós crise que vivemos, o catarinense mostra sua supremacia, com os empresários superando as dificuldades com confiança. Estamos abrindo uma média de 590 empresas por dia, ou seja, duas empresas por cidade catarinense, em média. Somos hoje um dos estados mais empreendedores do Brasil, com grande capacidade de crescimento. Temos hoje uma empresa para cada 8,7 habitantes. Entre cada nove pessoas, uma é empresária. Esses nossos dados mostram os índices de desenvolvimento e de segurança no ambiente de negócios, além do caminho promissor que temos pela frente. Mostra que a cultura empreendedora catarinense é diferente da média brasileira.

 

Com a adoção do sistema digitalizado, o que mudou na estrutura de funcionamento da Jucesc?

O governo sem papel implantado a partir de 2019 em Santa Catarina possibilitou à Junta Comercial reduzir de 52 escritórios para apenas 25 escritórios no Estado. Porém, dá para dizer que temos 295 escritórios, pois estamos presentes de forma digital em todos os municípios do nosso Estado. Antes a Junta funcionava só em horário comercial e agora o empresário ou seu contador pode protocolar documentos de sua própria casa, a qualquer hora, em qualquer dia, mesmo em um feriado, por exemplo. Em dezembro de 2019 implantamos também uma nova ferramenta de inovação que é o Registro Automático, que estabelece alguns critérios que faz com que o empresário abra em até oito minutos o CNPJ.  Em 2019, 24% das empresas abertas foram através dessa nova e inovadora ferramenta.

 

Qual seria outro importante papel da Jucesc?

A Junta Comercial também tem outras competências, por exemplo, nós concedemos as matrículas aos leiloeiros oficiais, tradutores públicos e intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazém geral, mas o grande volume de trabalho é o registro empresarial. Vale destacar aqui que temos um grande projeto a ser executado em 2020-2021, que é o de usar os dados da Junta Comercial de forma estratégica. Por exemplo, começar a identificar demandas empresariais a serem desenvolvidas em determinados locais e regiões do Estado. Quando o empresário bater na porta do Governo do Estado com algum pedido, seja relacionado à mão de obra ou sobre alguma matéria prima específica, nós com nossos cadastros poderemos ajudar e orientar no sentido de se encontrar o melhor lugar para instalação de uma empresa. Outro ponto de destaque: nós poderemos analisar curvas de tendência de novos negócios. Da mesma forma pode-se identificar curvas de negócios que estão fechados e analisar e alertar o empresário. Com isso, nós queremos facilitar a vida do empreendedor, fazer com que ele erre menos.

 

Como ocorreu a sua ida para o Governo, depois de suas atividades como liderança empresarial e de ter assumido por um tempo a secretaria municipal de Desenvolvimento Econômico, em Lages?

O secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico, na época, o Carlos Chiodini, me chamou para trabalhar com ele, reconhecendo o trabalho técnico que desenvolvi na Prefeitura. Aceitei o convite por que vi uma oportunidade de crescimento e de poder ajudar cada vez mais a nossa região, e de entender mais detalhadamente todo o processo de uma gestão pública, como ela funciona e como pode auxiliar a vida das pessoas. Acabando o mandato do governo anterior e assumindo os destinos do Estado um governo muito técnico, que prioriza a capacidade e o conhecimento das pessoas que assumem cargo público, fui convidado pelo novo secretário Estado do Desenvolvimento Econômico, Lucas Esmeraldino, a permanecer na equipe. E num período muito curto surgiu a oportunidade da Junta Comercial.  A visão que tinha para o Estado de desburocratizar, de melhorar o ambiente de negócios, era compatível com o novo plano de governo.

 

Hoje qual é a sua visão do desenvolvimento de Lages. O que foi que evoluiu, na sua opinião?

Vejo que Lages tem muito a evoluir.  Apesar de termos aqui terreno fértil para boas ideias ainda falta ingrediente a mais. Precisamos nos reinventar. Muitos setores da economia estão indo bem, mas faltam incrementos. O poder público tem papel fundamental nisso, pois ele é um incentivador, influenciador para que negócios surjam. Muito embora Lages tenha se destacado em volume de negócios em 2019, ainda tem um trajeto muito longo a se percorrer. Precisamos retomar o vigor que tínhamos em décadas passadas: a riqueza, a geração de empregos, de oportunidades. Um dos principais problemas de Lages hoje é a necessidade da geração de empregos e isso tem de ser pauta política diária para que essa realidade mude. Com o projeto do Lages Business Parque prevíamos a geração de 10 mil novas empregos e dobrar o PIB municipal. Mas esse projeto infelizmente foi abandonado, não se concretizando devido a empecilhos e entraves políticos e burocráticos. Veja que Lages teve em 2019 a constituição de 2.972 empresas. Em contrapartida, teve uma quantidade de empresas fechadas de 1.154. Este dado demonstra a dificuldade para se empreender na cidade.

 

Como único representante de Lages no Governo do Estado, o senhor tem oportunidade de influenciar nas tomadas de decisões governamentais em relação a investimentos e projetos para Lages e região?

Embora esteja à frente de uma autarquia estadual, exercendo cargo executivo, costumo dizer que, em algumas vezes, tenho papel de interlocutor do governo, pois quando estou em Lages recebo demandas de dezenas de órgãos ligados à área da saúde, educação, infraestrutura e faço esse elo de comunicação de Lages com o governo estadual. Estou ciente desta responsabilidade. Tenho ótimo relacionamento com todo o primeiro e segundo escalões do governo e posso ser portador dessas boas iniciativas e tento, no que for possível, auxiliar em decisões de interesse da população da Serra Catarinense e voltadas às nossas prioridades e principais demandas. Acompanho de perto questões como as do Hospital Tereza Ramos, aeroporto regional, as questões que precisam ser melhoradas aqui. Sempre questiono em relação a isso em nível de Governo. Hoje o nosso Estado está em boas mãos, com capacidade técnica e querendo realizar. Talvez algumas ações não aconteceram agora, mas no decorrer do Governo nós vamos nos orgulhar muito do voto de confiança que foi dado ao governador e sua equipe.

 

 

Juliano, por que é que a nova ala do hospital Tereza Ramos ainda não entrou em funcionamento e equipamentos hospitalares estão sendo tirados daqui para suprir a demanda de outras unidades hospitalares do Estado? 

A ampliação do Hospital Tereza Ramos é a maior demanda da região. Converso muito com o atual secretário da Saúde, e ele diz que esse é um dos projetos mais importante na sua pasta administrativa. Está definido um cronograma de ações, porém há o compromisso de entregar a nova ala do hospital em funcionamento no segundo semestre de 2020. Tudo de forma gradativa, conforme ocorra a demanda de atendimentos. Existe sim esse compromisso. Sobre a retirada de equipamentos daqui para suprir a falta deles em outras unidades de Saúde, especialmente no Litoral, atende necessidade de gestão administrativa e não por uma simples decisão política. Para a nova ala do Tereza Ramos, no tempo oportuno, virão equipamentos melhores e mais atualizados que já estão hoje sendo licitados.  As obras do hospital também passam por auditoria pública e isso precisa ser respeitado.

 

 

O caso da Receita Federal que foi transferida de Lages para Joaçaba, teve ingerência política do Governo do Estado como se comenta? 

A Receita Federal é uma incumbência do Governo Federal. Vejo isso como uma questão de eficiência administrativa e não houve ingerência do Governo do Estado. Não vejo o Governo se distanciando da Serra e de outras regiões. Vejo a preocupação de se realizar serviço melhor. Por exemplo, tínhamos 52 escritórios regionais da Jucesc em Santa Catarina. Com a tecnologia disponível, tivemos oportunidade de reduzir para 25, sem perder a eficiência. É importante frisar que hoje todas as demandas das prefeituras são concentradas no Governo do Estado, onde são analisadas de forma técnica e não política.

 

Quais são suas pretensões políticas? Pensa em concorrer a um cargo eletivo?

No momento em que se está em um cargo público surgem as especulações e conversas. É claro que como lageano sempre terei o objetivo de auxiliar mais minha cidade, região e o Estado. Eu me identifico muito com o governador Moisés, com a equipe dele, ele é filiado ao PSL e tenho convicção de que o caminho que ele está dando para SC é o mais correto. As políticas públicas implementadas pelo Governo são as melhores e entendo que o grande desafio dele, além de bem gerir o Estado é fazer com que essa nova política e modelo de gestão seja replicada nos municípios. Acredito que ele tenha o desafio de apoiar (nas eleições municipais) candidatos com essa visão de enxugar a máquina pública, economizar e fazer com o que o dinheiro sobre para priorizar investimentos. É nisso que acredito e por este motivo faço parte da equipe (do Governo).

 

O que mais o senhor poderia destacar em relação a nova gestão da Junta Comercial do Estado de Santa Catarina?

Hoje o Governo do Estado tem um grande projeto que é fazer com que o tempo de licenciamento e de alvará de abertura de empresa, tanto estadual como municipal, fique em até cinco dias. Teremos a grande responsabilidade de implantar em Santa Catarina o programa de governo SC Bem Mais Simples. Um grande processo de integração entre municípios e os órgãos de licenciamento e autorização de funcionamento. A Jucesc será uma das protagonistas desta ação assumindo o papel de órgão integrador.  Nosso lema é “menos burocracia gera mais desenvolvimento”. Agora a Jucesc é digital, com maior segurança jurídica e cada vez mais ágil, contribuindo para que novas riquezas sejam geradas e novas oportunidades empreendedoras e de geração de empregos apareçam. A tecnologia na Junta Comercial fez com que o Governo se aproximasse mais dos contadores e empresários, pois facilitou diretamente a vida destes segmentos. A burocracia foi eliminada nesta área. Quanto menos burocracia o empreendedor encontrar, mais tempo para seu negócio ele vai ter. Se hoje a Jucesc já é considerada uma das melhores juntas do Brasil, a partir deste novo modelo de integração certamente passará a liderar o caminho de simplificação e de agilização de todos os atos mercantis.

  

Revista Visão

Texto _  Iram Rosa de Morais

Foto _ Gugu Garcia