Se o tempo for bom, são esperadas de 8 a 10 mil pessoas no próximo domingo, 15 de setembro, em São José do Cerrito, para a 25ª edição da Romaria da Terra e das Águas. A iniciativa é da Regional Sul IV da CNBB, que congrega as 10 dioceses de Santa Catarina, além da CPT e das pastorais sociais da Igreja Católica. 

Embora o evento seja promovido pela Igreja Católica, a participação é aberta a qualquer pessoa, de qualquer credo religioso ou até mesmo aqueles que apenas compartilham dos mesmos objetivos. 

Hoje pela manhã (10/09), na Cúria Diocesana de Lages, o bispo Dom Guilherme Werlang, acompanhado pelos padres João Carlos, Henrique, Alex, irmã Teresinha e pela Maria da Costa (representante das CEBs) receberam a imprensa para falar sobre o evento. 

De acordo com o bispo Dom Guilherme, o objetivo inicial da Romaria da Terra, que começou em Santa Catarina em 1986, era chamar atenção acerca da grande concentração das terras nas mãos de poucos, a situação difícil dos camponeses donos de pouca terra, a falta de políticas agrícolas para a agricultura familiar, o clamor pela Reforma Agrária, entre outros temas congêneres. Com o passar dos anos, esse tema e objetivos foi sendo ampliado. E em 2003 o evento passou a ser denominado "Romaria da Terra e das Águas", incluindo a questão ambiental de forma mais forte e contundente. 

Hoje, embora os temas e apelos iniciais ainda sejam mantidos, a Romaria da Terra e das Águas tem um caráter bem mais amplo. "Busca defender a vida em todas as suas formas, não somente as vidas humanas", deixou claro o bispo Dom Guilherme. 

Para os organizadores do evento em nível local (a Diocese de Lages já sediou a Romaria da Terra cinco vezes, incluindo a deste domingo), tudo o que agride a vida é contra a mensagem do Evangelho e de Jesus. "Eu vim para que todos tenham vida. E vida em abundância", lembrou Dom Guilherme, citando um trecho da Bíblia Sagrada. "E hoje a vida está sendo agredida de muitas formas. São agressões contra a vida humana, com muita gente passando fome enquanto se produz alimentos até para jogar fora. São agressões contra as matas, florestas, animais, rios, lagos, oceanos, ar e a própria terra", explicou. 

O evento, no domingo, inicia às 8 horas na localidade de Boa Parada (saída do Cerrito em direção a Campos Novos, na BR-282). De lá, os romeiros virão em caminhada até o centro da pequena cidade, na praça da Igreja Matriz, onde será a grande concentração. Ao longo do caminho, serão colocadas 25 faixas, com o lema das 25 Romarias da Terra já realizadas até agora. 

As paróquias da Diocese de Lages - principalmente a Igreja anfitriã (do Cerrito) - oferecerão café da manhã, almoço e refeições a todos os participantes - uma forma de partilha que já é tradicional neste tipo de evento. 

Se haverá protestos? "Sim, vamos denunciar toda forma de violência contra a vida. Mas  o principal é que o evento nos sirva de inspiração, de estímulo e de fé e coragem para que sigamos anunciando o bem e nos fortalecendo na promoção do bem e da vida", argumentou o bispo. 

O tema da 25ª Romaria da Terra e das Águas será: "Semeando Vida no Campo e na Cidade". E o lema será "Toda a criação está gemendo como em dores de parto" (RM 8,22). 

Texto e fotos: Loreno Siega - Revista Visão