Uma estratégia ministerial da Saúde para estruturar e organizar a assistência materna-infantil no país, a Rede Cegonha tem o intuito de garantir atendimento humanizado a todas as mulheres. Está inserida na discussão de Rede de Atenção em Saúde (RAS), que tem como objetivo promover a integração das ações e serviços de saúde para possibilitar uma atenção eficiente e de qualidade em todos os pontos de atenção, com foco na satisfação dos usuários, e a melhoria dos indicadores de morbimortalidade materno-infantil.

Em 2013 a Rede Cegonha foi implantada na Serra Catarinense por meio de um Plano Regional, e depois em cada município via Sispart, formando assim o grupo condutor e habilitando serviços como pré-natal de risco habitual, pré-natal de alto risco, assistência ao puerpério, neonatologia, leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) obstétrico, sala de parto e leito canguru.

Há 23 anos, a taxa de mortalidade infantil em Lages e região era alarmante, contudo, com a implantação e implementação de medidas modernas de apoio e prevenção quando o bebê ainda está na barriga da mãe, os números estão sendo revertidos gradualmente. A Rede Cegonha teve papel crucial neste processo. Atualmente está em 12,98 na Serra, uma diminuição amplamente significativa. Saiu-se de quase 19 a cada mil nascidos vivos.

Em Lages, no ano de 1996 a taxa era de 26,97%, 98 óbitos por mil nascidos vivos. A taxa atual é de 9,8, segundo o DataSUS/Tabwin, sendo uma grande conquista, “pois a cada ano que fomos reduzindo a mortalidade foi mais uma vida que conseguimos assegurar. Desta forma, o amor de alguém está nos braços de sua família”, comemora a coordenadora da Rede Cegonha Serra Catarinense, Daniela Rosa de Oliveira.

 

Em 2017 a taxa era de 14,33% na Serra e 11,24% em Lages. No início da Rede Cegonha, em 2014, quando tinha apenas um ano, a taxa era de 17,41% na Serra e 15,79% em Lages. Desde a implantação, em Lages já baixou 5,99%. “Nunca os índices de Lages e região estiveram tão baixos. A mortalidade infantil interfere no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), ou seja, mortalidade baixa significa aumento do desenvolvimento. Em 23 anos jamais se chegou a um dígito, como ocorreu com Lages agora”, enfatiza a coordenadora, enaltecendo que, “além do trabalho da equipe e do Comitê de Mortalidade e de Transmissão Vertical, este resultado se deve ao grande movimento desempenhado pelos profissionais da Saúde no pré-natal e parto da região, ampliando a qualidade e reduzindo cada vez mais estes lamentáveis números”. A secretária da Saúde, Odila Waldrich, pontua: “É um serviço incessante e que depende de técnica aliada à sensibilidade e afeto. Os servidores estão totalmente preparados para bem atender à população.”

Texto: Daniele Mendes de Melo - Fotos: Rede Cegonha/Divulgação