Lages pode se tornar em breve um dos primeiros lugares do Brasil a resolver problemas energéticos e ambientais ao mesmo com uma única solução. A ideia será amadurecida e a viabilidade legal e financeira estudada ao longo das próximas semanas. Mas é grande a chance de a cidade contar com uma usina que transforma lixo doméstico e industrial em energia elétrica, o que resultaria em benefícios à natureza e aos cofres públicos.

Pioneiro no país, o projeto, de autoria da Serrana Engenharia, empresa responsável pela coleta e destinação do lixo em Lages, foi apresentado ao prefeito Antonio Ceron. O chefe do Executivo lageano esteve pessoalmente na última terça-feira, dia 27, em Mafra, no Planalto Norte de Santa Catarina, onde o empreendimento é testado no aterro sanitário também de responsabilidade da Serrana e que acolhe o lixo de 22 municípios daquela região.

A usina recebe os resíduos que chegam pelos caminhões. O material reciclável que pode ser comercializado, como garrafas plásticas e latas de alumínio, é separado. Outros produtos metais e minerais, como a terra, também são retirados, pois não gaseificam. Todo o restante passa por uma secagem, é triturado e entra no processo de gaseificação. O calor do procedimento gera gás rico em combustível que, por sua vez, é convertido em energia.

Em uma sala de comando que, assim como a máquina, funciona 24 horas por dia, sempre com o monitoramento de profissionais devidamente capacitados para o trabalho, são controlados por computador itens vitais como entrada de oxigênio, pressão e temperatura.

O proprietário da Serrana, engenheiro Odair José Mannrich, diz que a usina está em teste há um ano no aterro sanitário de Mafra e já conta com todas as licenças ambientais. Todo o processo foi previamente testado em laboratório, inclusive com a participação de uma universidade de Curitiba (PR), e passa por rigorosa fiscalização.

O investimento da empresa no projeto chegará a R$ 30 milhões, e agora a Serrana busca outros parceiros e uma linha de crédito junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para viabilizar a implantação de cinco usinas em Santa Catarina, nas cidades de Mafra, Lages, Jaraguá do Sul e duas em Tubarão.

“O nosso grande desafio é produzir energia pelo calor do lixo sem poluir o meio ambiente. E, com isso, todos ganham”, diz Odair Mannrich.

Projeto proporciona ganhos ambientais e econômicos à cidade

Como o aterro sanitário de Lages recebe quatro mil toneladas de lixo por mês, sendo 2,8 mil só de Lages e 1,2 mil de outros sete municípios, o proprietário da Serranacalcula que a usina, se instalada na cidade, poderia gerar 2,5 megawatts de potência.

De toda esta energia, 20% seria destinado ao consumo próprio da usina e os outros 80% disponibilizados à rede de energia elétrica. Este montante de 2 megawatts, segundo Odair, é o suficiente para abastecer até oito mil residências.

“O Brasil está crescendo e vai faltar energia elétrica. E esta é uma das formas mais baratas de geração”, destaca o engenheiro.

Outro benefício direto proporcionado pela usina seria a destinação final de praticamente todo o lixo, o que reduz os impactos e prolonga em vários anos a vida útil do aterro. Além disso, a pequena sobra, estimada em apenas 7% a 10%, poderia ser utilizada comercialmente para outros fins, como a produção de adubos.

E, por fim, o município, como local de origem da energia gerada, poderia arrecadar impostos com o serviço. Se a implantação da usina for viabilizada, o empresário da Serrana Engenharia acredita que o investimento se paga em um prazo de oito a dez anos.

“O projeto me surpreendeu positivamente. Os testes realizados até agora em Mafra apontam para a viabilidade técnica e econômica. E existe o nosso interesse em ter o sistema em Lages. A empresa vai concluir os testes e nós estudaremos a possibilidade legal e financeira da implantação em nossa cidade”, conclui o prefeito Antonio Ceron.

 

Texto e Fotos: Pablo Gomes - Ascom/PML