“Engenharia também é coisa de mulher” é uma dentre muitas frases estampadas em placas usadas pelas alunas do curso superior em Engenharia Mecânica do Câmpus Lages do IFSC. O câmpus apresenta o maior percentual de mulheres matriculadas no curso de Engenharia Mecânica no IFSC, além de ser maior que as médias estaduais e nacionais dos institutos federais, de acordo com dados da Plataforma Nilo Peçanha, que reúne estatísticas dos IFs de todo o País. Entretanto, o número de homens ainda é maior: enquanto as mulheres atingem 15,3% do total de alunos no curso em Lages, os homens chegam a 84,7% (94 homens e 17 mulheres).

O medo do preconceito, de não ser aceita e de estar em um ambiente com mais participação masculina é um dos fatores que impedem muitas meninas de iniciar esse curso, na opinião de Tatieille Liz, lageana, da quarta fase da Engenharia Mecânica. "Criou-se uma imagem de que a área da mecânica é para homens. Muitas pensam que é algo muito difícil. Parece ser impossível pelo fato de as mulheres terem menos contato com essas coisas, quando na verdade não existe nenhuma barreira, qualquer uma, desde que queira, pode aprender”, diz.

Tatieille é técnica em Mecânica e sempre quis conhecer e trabalhar na indústria. Durante o curso técnico, conseguiu um emprego na Companhia de Bebidas das Américas (Ambev) inicialmente como operadora de máquinas, em uma linha de produção na qual, de 70 pessoas, apenas três eram mulheres. Hoje trabalha em escritório, em uma área na qual, de 170 pessoas, só seis são mulheres. As atividades que ela desenvolvia envolviam manutenção, lubrificação e limpeza dos equipamentos. 

Thainara Cabral é de São Luiz Gonzaga (RS) e veio para Lages estudar no curso técnico em Mecatrônica do IFSC. Ao se identificar com a área, decidiu seguir cursando o superior em Engenharia Mecânica. A aluna também faz parte do Projeto Leão Baja e é a única mulher que está na equipe responsável pela telemetria do veículo.  

Única professora

Atualmente no Câmpus Lages, há somente uma professora mulher na área de processos industriais, que dá aula para os cursos técnicos em Eletromecânica e Mecatrônica e vai começar a lecionar para a Engenharia Mecânica. A professora Adriellen Lima de Sousa é engenheira de controle e automação e explica que a responsabilidade de um engenheiro é desenvolver soluções, através da capacidade lógica e do conhecimento matemático para problemas técnicos em sistemas, serviços ou produtos. Ao contrário do que muitos acreditam, realizar esforços físicos para implementar as soluções elaboradas não necessariamente competem ao engenheiro, destaca a professora.

Quanto ao percentual de mulheres no curso, a professora opina que, por natureza, a mulher se identifica com áreas que demandam maior delicadeza. Segundo ela, um exemplo disso são outros cursos que apresentam maior participação de mulheres, como enfermagem e fisioterapia. “Acredito que os números de homens e mulheres não precisam ser iguais. Às vezes falta aptidão mesmo, se identificar com a área, para desenvolver as habilidades necessárias”, diz. 

Assessoria de Imprensa do IFSC