Os partidos e eleitores se acostumaram no Brasil a se guiar pelas pesquisas eleitorais para fazer projeções e até para definir seus votos na reta final dos pleitos. E, como em quase em todos os pleitos, erraram feio nas eleições 2018 no Brasil. 

Tomemos alguns exemplos:

1) Governo de SC

- Para o Governo de SC, na véspera o Ibope dava  segundo turno entre Mauro Mariani (MDB, que teria 25% dos votos totais), contra Gelson  Merísio (PSD, que teria 23%). Décio Lima (PT), aparecia logo atrás, com 19% (forçando a barra havia um empate técnico entre os  três na sexta-feira, dia 05/10). Bem mais abaixo, aparecia o candidato do PSL, Comandante Moisés, que teria  9% dos votos. 

Abertas as urnas, o que se viu: Merísio ficou em 1º lugar, com 31% dos votos válidos. E Comandante Moisés, que tinha 9%, ficou um pouquinho atrás, com quase 30%. Mauro Mariani (que estava em 1º), acabou ficando em 3º, com  pouco mais de 23%. E  Décio Lima, que teria 19%, acabou com pouco mais de 12%. 

2) Grande babada para o Senado de SC 

Para o Senado de SC, outro erro grasso. Amin (PP) e Colombo (PSD) apareciam com 31% e 30%, respectivamente. Jorginho Melo (PR) e Paulo Bauer (PSDB) vinham bastante atrás, na faixa de 18 a 19%. Nas urnas, Amin confirmou o primeiro lugar (com 18% dos votos válidos). Em segundo, ficou Jorginho  Mello, um pouquinho atrás. Em 3º lugar, com pouquissimos votos a menos de Jorginho  Mello, ficou Lucas Esmeraldino, (com  mais de 17%), do PSL (que nem aparecia nos números da  pesquisa da sexta-feira). E Raimundo Colombo, que estava em 2º lugar nas pesquisas na véspera (com 30%), nas urnas fez apenas 15,3%. 

3) Em MG, mais erros

As pesquisas também erraram feio nas eleições de Minas Gerais. Pelos resultados da véspera, quem deveria ir para o segundo turno seria o senador Antônio Anastasia (PSDB) com o atual governador, Fernando Pimental, do PT. Em 1º lugar, bem na frente, ficou um tal de Zema (Novo), que estaria bem atrás (segundo as pesquisas). Anastasia ficou com a 2ª vaga, com 13% dos votos a  menos que Zema. E  Pimentel ficou em 3º, 6% atrás de Anastasia. 

Para o senado de  MG, outro erro grasso. A ex-Presidente Dilma Rousseff liderava a corrida para o Senado até a véspera (vinha caindo nas intenções, mas ainda liderava). Acabou ficando em 4º lugar, com apenas 15% dos votos válidos, atrás de Rodrigo Pacheco (DEM, que teve 20,5% dos votos), Carlos Viana (PHS, que fez 20,2%, poucos votos menos do que o primeiro colocado) e Dinis  Pinheiro, do Solidariedade, que fez 18%. 

4) Em SP, erros também

Em São Paulo, quem deveria ir para o segundo turno, segundo as  pesquisas, seria João Dória (PSDB) e Paulo Skaf (MDB). Abertas as urnas, Skaf ficou em terceiro. E quem ficou com a segunda vaga foi Márcio  França (atual governador, do PSB). 

Para a corrida ao Senado, mais erros. O vereador e ex-senador do PT, Eduardo Suplicy, liderava a corrida  desde o começo das eleições. Vinha caindo. Mas ainda mantinha a dianteira. Acabou em 3º lugar, atrás de Major Olímpio (PSL) e Mara Gabrilli (PSDB). 

5) Erros para o Senado do PR

Outro erro aconteceu para o Senado no PR. O ex-governador e atual senador Roberto Requião (MDB) liderava a corrida ao Senado desde o começo das eleições. Estava caindo. Mas as pesquisas indicavam que deveria se eleger em 1º lugar. Abertas as urnas, ficou em 3º lugar, atrás de Prof. Oriovisto Guimarrães (Podemos) e Flávio Arns (Rede). 

6) Erros para Presidente

Na eleição para Presidente aconteceu a  mesma coisa. No Datafolha e Ibope de sábado à noite, Bolsonaro (PSL) aparecia com 41% dos votos válidos. E Hadad (PT) faria no máximo 25% dos votos. Abertas as urnas, Bolsonaro fez 46% dos votos válidos (faltou pouco para ganhar no 1º turno). E Hadad fez 29,3%, bem mais do que as  pesquisas indicavam. 

Aconteceram erros semelhantes também no  RJ (para o Governo e para o Senado) e em vários outros estados. 

LIÇÃO: Não se deve acreditar em pesquisas. Com as redes sociais sendo utilizadas como instrumentos de campanha - e com a indústria das Fake News funcionando a todo vapor - os eleitores  podem mudar de humores,  vontades e votos em questão de horas. Isso acontece também pelo chamado "efeito manada". Quando aparece um candidato muito forte, muita gente vai atrás só para "não perder o voto".