Fiquei chocado hoje pela manhã ao participar de uma entrevista coletiva com o prefeito Antônio Ceron (que estava acompanhado por seu vice, Juliano Polese e por boa parte de seu secretariado). 

Ao longo do evento, ao  perguntar sobre o andamento das obras da Av. Ponte Grande, assunto de capa deste mês aqui da  Revista Visão, o prefeito não respondeu. E apenas passou a reclamar e a se queixar do teor da pergunta. Me xingou no meio de todos - insinuou que estou a serviço de determinados interesses políticos. E ficou visivelmente nervoso e transtornado com a pergunta (os que estavam lá podem testemunhar a vocês se fui ofensivo e merecia aquelas respostas do prefeito).  

Respondo ao Ceron - e a todos os que lá estavam:

Em nenhuma cidade, estado ou país do mundo o mandatário político maior tem 100% de aprovação de seus cidadãos. Aqui em Lages, Ceron mesmo reconheceu - nesta mesma entrevista coletiva - que obteve somente 38% dos votos dos eleitores de Lages nas últimas eleições. Portanto, há pelo menos 62% que não votaram nele. 

Por isso mesmo, não deveria ter dificuldade alguma ao responder uma pergunta sobre determinada obra. E nem de conviver com quem pensa diferente ou tem críticas a fazer. Até porque a obra  (Av. Ponte Grande) é importantíssima, vai beneficiar muitos moradores da cidade e empresas e tem R$ 38 milhões disponíveis na CEF (Governo Federal) para que tenha andamento. Se em 17 meses da atual administração não se conseguiu até agora asfaltar 1 metro sequer dessa obra. E tampouco entregar as 200 casas que já estavam prontas lá no final de 2016, a culpa não é minha e nem da imprensa que pergunta. 

Na minha modesta avaliação, o prefeito ofendeu-se por nada. Até porque continuarei dizendo a verdade (aquilo que lhe convém e lhe interessa, prefeito. Mas também o que não lhe interessa). 

Tenho 52 anos de vida. Me formei em Filosofia (Santa Maria -RS) e Jornalismo  (PUC de Porto Alegre). Tenho 27 anos de profissão, tendo trabalhado em jornais, rádio, assessoria de imprensa e em revistas. Jamais recebi propina na vida. E tampouco me vendi para determinado político ou corrente partidária (se provarem que fiz, entrego meu diploma e me mato em seguida). 

Portanto, pra que tanto nervosismo, prefeito? Pra que tanto medo de responder uma simples pergunta? Por acaso coletiva de imprensa não é para responder perguntas? Ou seria para perguntar apenas  o que vai lhe agradar? Ou para lhe bater palmas? 

Não quero o mal de Lages. E nem das pessoas que estão na administração. Tem várias pessoas do mais alto nível e quilate no seu time, Ceron, além de você. Torço por todos vocês e defendo as coisas boas que estão fazendo (como sempre fiz). Afinal, é aqui que vivo, que tenho família e trabalho. Se vocês duvidam dessa minha postura, é só acessar neste blog (tem uma ferramenta de procura aqui do lado) para ver quantas matérias a favor já divulguei da prefeitura. Analisem todas as edições da Visão e vejam quantas matérias fiz, publiquei e divulguei a favor e quantas contra!!!! Façam esse balanço, por favor!!! E vejam quem está sendo parcial e sectário. 

Eu não estudei quase 20 anos da minha vida para  puxar saco (tenho horror a isso). E nem somente para aplaudir. Nem por isso, vou deixar de reconhecer, valorizar e bater palmas quando alguém merece (e já fiz isso várias vezes em obras e ações feitas pelo Ceron enquanto político - agora na prefeitura e antes disso, em outras funções públicas que ele ocupou, sempre com ótimo desempenho). 

Não há motivos para ficar nervoso, prefeito. Nem você e nem o Papa Francisco tem 100% de unanimidade. Portanto, atacar quem lhe aponta erros e falhas não é uma tática inteligente. E tampouco construtiva. 

Eu não vou levar esse episódio para o lado pessoal. E nem querer ou torcer que sua administração não vá bem. Fui ofendido, atacado, humilhado no meio de tantas pessoas. Mas continuo lhe respeitando. E torcendo por sua administração. 

Grande abraço. 

A vida segue. 

Loreno Siega - Diretor de Redação - Revista Visão