Nesta terça-feira, dia 8 de março, comemora-se  o Dia Internacional da Mulher. Uma data que simboliza as diversas conquistas da mulher na sociedade. Porém, num contexto global, elas estão onde querem estar? Esse dia é internacional mesmo?

Vocês, homens e mulheres, listem rapidamente os direitos que têm em sociedade e quais consideram prioritários para um convívio social digno – e justo. De fato,  essa balança irá pender mais para um lado do que para o outro. Quando discutimos as conquistas da mulher em sociedade,  ainda se pensa que tudo está ‘ok’. Diz-se: Ah, mas elas podem votar, podem trabalhar e estudar (direitos e deveres básicos dentro de uma sociedade). Errado!

As mulheres não conquistaram 1/3  do que os homens têm nesse mundo. Faça a partir daqui um exercício de empatia. Em 1952, as Nações Unidas firmaram acordo de Direitos Políticos das Mulheres. Um instrumento de lei internacional que declarava o direito ao voto e a organizar encontros políticos.

Contudo, as mulheres ainda são minoria em posições políticas em seus países. Na Arábia Saudita – último país a liberar o voto às mulheres -, por exemplo, somente no fim 2015 elas conseguiram votar e também serem candidatas. Você pensa: poxa, bacana, agora está tudo certo!!! Não. A desigualdade ainda é gritante: Cerca de 900 mulheres concorriam junto a mais de seis mil homens. Não bastasse isso, elas ainda precisam de autorização dos maridos ou guardiões para sair de casa e votar.

No trabalho a situação não é diferente. Um relatório do Banco Mundial divulgado em setembro de 2015 mostra que as mulheres são legalmente impedidas de participar do mercado de trabalho em vários pontos do mundo. De acordo com o documento, 100 de 173 economias monitoradas pelo organismo internacional têm restrições ao trabalho feminino. Em 41 países, por exemplo, mulheres não podem exercer determinadas funções em fábricas. Além disso, em 30 economias, mulheres casadas não podem escolher onde morar.

Educação, então, nem se fala. Em muitas cidades do Mali (na África), as mulheres vítimas de estupro são excluídas da sociedade. Não podem estudar e nem trabalhar. De acordo com as Nações Unidas, os direitos políticos e civis são limitados pela interpretação severa das leis Sharia.

No contexto serrano, o cenário de violência também está em evidência, onde diariamente os boletins de ocorrência policiais denotam sobre a violência doméstica. Resultado da cultura patriarcal, a qual o homem ainda pensa que é dono da mulher e tem direitos sobre ela. Não à toa o município de Lages é recordista nesse aspecto – infelizmente um recorde que ninguém quer ostentar.

Para ver que não se trata apenas de agressão física. A violência – e injustiça – está no abuso de poder, na desigualdade, na forma como ela é tratada perante a sociedade. O sexo frágil já era, nunca existiu. Demonstração disso são as históricas lutas pelo direito ao voto, à educação, às condições melhores de trabalho e assim por diante.

Não apenas o homem, mas a sociedade precisa aprender o lugar que a mulher ocupa: o lugar que ela quiser, como ela quiser, se vestindo como quiser.

 

Vinicius Prado - Revista Visão - Fotos: Divulgação